sábado, 13 de novembro de 2010

trechos de TEATRO EMPIRICO

“Continuando, essa personalidade inquieta criou em mim várias
nuvens de sensibilidade e julgo de criatividade capazes de me
fazer enxergar espectros e imaginar situações, o que me coloca na
situação do inquieto Hamlet, embora tupiniquim, para alterar o
roteiro da encenação que até então o destino me escreveu, sem,
no entanto, fazer-me tão sublime quanto imaginei com Pessoa,
naquele dia, naquela aula em que o conflito foi implantado em
mim como um chip.
O que então vou escrever para provar o quanto sou sublime? São
tantas loucuras, mas há tantos loucos como eu neste momento que
a minha não seria a mais insana. Há tantas peças, pessoas e lugares
que não caberiam numa métrica rimada, nem tenho eu o dom de
Cervantes, nem o poder de síntese do maior poeta português,
Fernando Pessoa. Porém se não entendi sua dramaticidade, senti
toda ela posta no momento ímpar d‘a Tabacaria.”

“O Munipal é uma paineira de concreto”
“decifra-me ou te
devoro”. Fiz a Rebelião, que
estava predestinado a fazer, e
sabia, desde o início, que não
era como Che Guevara e sim
como ator, não um ator de
palco, mas um ator social
“Quando se enquadra o aluno na sala,
na aula o projeto deixa de ser o que é e não se garante mais “o ser
ou não ser”. Eis a questão.”

“Tínhamos lá nos cursos poucas turmas com aulas de iniciação
e eu vinha com um Suassuna, um Brecht e um Villar na cabeça e
queria juntar tudo, causei confusão, mas juntei. E foi como uma
chuva torrencial, foi um braço do São Francisco, limpo e cheio
de fantasias, rasgando, lavando, tomando, invadindo... Desculpem
pela soberba, mas lavando o Tamanduateí.”

“Lamentavelmente, o jovem só é lembrado no discurso,
como a seca do nordeste, como Guimarães Rosa. Ou seja, muitos
falam, poucos conhecem. O jovem só é levado a sério quando se
candidata e se transforma ou faz coro com “os mesmos”. Que
haja esperança sempre e que façamos como disse Che Guevara:
“o jovem não deve envelhecer cedo”.

“Aliás, para interpretar bem Hamlet é como se
tivéssemos tomando um rivotril, como se treinássemos a respiração
após ioga, após terapia, após sessão de descarrego de um pastor,
de um passe no centro espírita, depois de ler cartas de tarô, depois
de orações, depois do perdão, depois da missa, depois de ouvir o
pai, e meu pai disse: “quem muito quer subir, que nos altos quer
chegar, as estrelas estão sorrindo do tombo que vai levar”,

“tal como um operário de construção vê assombrado que na sua cidade faltalhe
lazer, protagonismo, diretrizes de paz, faltam margens jovens
que pautem o futuro e não a aposentadoria. É necessário uma
nova margem para a cultura. O povo existe, tem sabedoria popular e erudita e produz, a cidade é a gente que mora nela, e deve-se
levar mais a sério quem está na outra margem; popularizar e
descentralizar, mobilizar e não pedagogizar.’


“Um passo atrás e voltei ao rio em que nadei, lá estava a cura
do meu pânico e minha proteção. Para que o exercício continue
então o menino pega a canoa e substitui o pai já velho e cansado
rio adentro, é necessário menos emoção, sair do pânico. Dei uma
pausa e entreguei o raio de Zeus, seu grupo Apolo, aos filhos do
sol e então nesse taoísmo físico substituí também meu pai e fui à
outra margem do rio esperar que um peixe me venha morder o
anzol.”